sexta-feira, 14 de abril de 2017

Mensagem da Sexta-Feira Santa

"E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota,
Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS."

João 19:17-19


Hoje celebramos a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que veio a esse mundo como um homem como todo homem, mesmo sendo o filho de Deus. Jesus poderia ter liderado um exército, ajuntado uma milícia, e ter lutado contra o Império Romano, poderia ter-se coroado rei dos judeus no plano físico, político e material, mas ao invés disso se deixou prender, foi julgado como um criminoso comum, condenado à morte e crucificado, a pior espécie de morte da época. Não consigo imaginar o que seria do mundo se Jesus tivesse decidido seguir a carreira de imperador político, ou até mesmo se tivesse feito aliança com os fariseus e tivesse entrado para o sinédrio, o senado judeu da época, Se Jesus tivesse se rendido provavelmente não teríamos hoje o que chamamos de cristianismo, não o falso cristianismo materialista, mas o cristianismo no mais puro sentido, o cristianismo que nos manda amar ao próximo como a nósmesmos.
Por isso quando vejo cristãos se corrompendo, se vendendo, politicos ditos cristãos aceitando suborno, propina, desvios de dinheiro, eu penso o quão distante eles estão do Cristo, nada possuem do galileu que se recusou a reinar como imperador terreno dos judeus, pelo contrário, são lobos em pele de ovelha que tudo fazem pelo poder secular, pela ganância.
Que hoje nos recordemos que aquele que merecia de fato não apenas o título de Rei dos judeus, mas sim de todo o universo, só foi coroado em sua morte, e assim mesmo sua coroa foi de espinhos, seu título não foi lido por um arauto, mas pregado sobre a cruz que lhe serviu de instrumento de sacrifício. Não teve vestes reais, só vestiu o púrpura, usado pelos imperadores, no local de sua morte, pouco antes de ser crucificado, e mesmo assim lhe vestiram com o púrpura em tom de deboche, enquanto lhe batiam, o seu cetro foi um pedaço de cana, que lhe deram na cabeça com ele.
Sou cristão, e é esse cristo que procuro seguir, aquele que não se prende à coisas materiais, aquele que não compactua com campanhas de prosperidade, aquele que não se prendeu ao poder terreno, antes a tudo renunciou para cumprir sua missão por mim, por você, por toda a humanidade.

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai."

Filipenses 2:5-11

domingo, 9 de abril de 2017

Mensagem para o Domingo de Ramos 2017


"Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,
dizendo-lhes: "Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo que entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui.
Se alguém lhes perguntar: ‘Por que vocês estão fazendo isso? ’ digam-lhe: ‘O Senhor precisa dele e logo o devolverá’ ".
Eles foram e encontraram um jumentinho, na rua, amarrado a um portão. Enquanto o desamarravam,
alguns dos que ali estavam lhes perguntaram: "O que vocês estão fazendo, desamarrando esse jumentinho? "
Os discípulos responderam como Jesus lhes tinha dito, e eles os deixaram ir.
Trouxeram o jumentinho a Jesus, puseram sobre ele os seus mantos; e Jesus montou.
Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam cortado nos campos.
Os que iam adiante dele e os que o seguiam gritavam: "Hosana! " "Bendito é o que vem em nome do Senhor! "
"Bendito é o Reino vindouro de nosso pai Davi! " "Hosana nas alturas! "
 Marcos 11:1-10

Hoje celebramos o primeiro domingo da Semana Santa, o Domingo de Ramos, e relembramos a entrada de Jesus em Jerusalem montado em um jumentinho, enquanto o povo lhe saudava com ramos e os colocavam sobre seu caminho. Jesus sendo o Filho de Deus poderia ter deixado seu ego inflar, e ter entrado em Jerusalem num grande corcel, num alazão, num cavalo branco, ou em uma liteira, mas não, ele escolheu entrar humildemente montado em um jumentinho. Hoje em dia o que mais vemos são pseudos padres, pastores, bispos e "apóstolos" se gabando de possuirem bens e riqueza material, o próprio Malafaia se gaba de sua Mercedes Benz a todo momento, em toda entrevista, e ai me pergunto, cadê a humildade que Jesus demonstrou? Cadê os ensinamentos de Jesus? Será que não aprenderam nada com o Mestre? Acredito que se fosse hoje em dia seria tipo Jesus entrando em Jerusalém num Fiat 147, ou num fusquinha, enquanto os sacerdotes desfilam em seus carros importados. Vemos pastores hostentanto hiates, jatinhos helicópteros, e com isso percebemos o qão distante estão do Jesus em seu jumentinho. O pior de tudo, além de tais pregadores serem gananciosos ainda ensinam ao povo a também o serem, são como Jesus falou, correm o mundo para fazer um prosélito, e quando o fazem, o tornam piores do que eles, são cegos guiando outros cegos. Que nesta Semana Santa deixemos de lado o bacalhau, o ovo de páscoa, o coelho, e todas as demais vaidades, que possamos montar em nosso jumentinho humildemente e seguirmos rumo à Jerusalém celeste.

Em Cristo,
Bispo +Rodrigo Faddoul


terça-feira, 28 de março de 2017

O inferno de fogo e o Deus de amor

Quem diz que Deus vai jogar qualquer pessoa num inferno de fogo e enxofre nunca conheceu o amor de Deus nem o Deus de amor. Como que um Deus sendo o princípio de todo o amor lançaria alguém pra sofrer eternamente em fogo e enxofre? É claro que isso não significa que não colheremos o fruto de nossas más ações, mas tão logo quitada a dívida seremos livres. O próprio Jesus falou que o castigo pelos nossos atos não é eterno: "Eu te digo, em verdade, que de lá não sairás enquanto não pagares até o último centavo." (Mateus, 5:26). Note a expressão "até que", significa que pagaremos pelos nossos erros, mas após a dívida ser quitada até o fim não haverá mais castigo, estaremos livres para progredir. E o que é esse castigo? Nada mais é que prisões que nós mesmos criamos a partir de nossos atos e nossas atitudes, nossos pensamentos e vibrações, nós atraímos egrégoras de espíritos baixos e passamos a conviver com eles, em um lugar sem luz, até que nos arrependamos, possibilitando assim a paga de nossos erros pelo arrependimento, quando isso acontece nós galgamos para mundos mais iluminados, progredindo até os mundos mais etéreos, e um dia iremos nos imiscuir em Deus, voltaremos de onde viemos.

Em Cristo,
Bp. Rodrigo Faddoul

PS: Não copie e cole, compartilhe!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Conversa franca sobre Romanos 1

Quando um cristão tradicional quer acusar um cristão membro de uma igreja inclusiva, o repertório é sempre o mesmo: uma pequena lista de textos bíblicos em que atos homogenitais (entre homens, apenas) são condenados: Levítico 18.22; 20.13; 1ª Coríntios 6.9 e 1ª Timóteo 1.10. Com o nascimento de mais uma igreja inclusiva – Comunidade Cidade de Refúgio – liderada pelo casal de pastoras Lanna Holder e Rosânia Rocha, as acusações se multiplicaram. Entretanto, os acusadores cometeram um grave erro ao aplicar tais textos às mulheres, pois nenhum deles faz referência ao sexo entre elas. Nem mesmo Romanos 1.26. Como assim, pastor Alexandre? Paulo foi tão claro!

Bom, a clareza depende de como lemos e interpretamos determinado texto. Uma das regras da Hermenêutica é comparar versículos paralelos – ou seja, que tratem do mesmo assunto – para esclarecer termos obscuros. É aí que os acusadores ficam encurralados! A condenação do sexo entre homens ainda encontra certo número de textos para embasá-la. Mas o que dizer do sexo entre mulheres? Além de Romanos 1.26, nada mais há nas Escrituras que se refira a ele. Se Paulo condena aí a orientação homossexual, comum a homens e mulheres, por que não fez o mesmo em outros textos? Uma coisa, porém deve ficar muito clara: as razões do sexo homogenital masculino condenado na Bíblia não são as mesmas de hoje. Mas esse é um assunto para outro artigo!

É interessante notar como os acusadores esquecem-se por completo do contexto de seus versículos-bala! Ignoram as regras da hermenêutica e da exegese e depois nos acusam de manipular as Escrituras!  Bom, mas vamos ao texto em questão:

26 - Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
27 - E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

Para analisar corretamente esse texto, precisamos de dois princípios da hermenêutica e da exegese: o contexto textual e sociocultural.

Quando analisamos o contexto textual, percebemos que os versículos 26 e 27 de Romanos 1 não são independentes, mas têm o seu conteúdo específico iniciado a partir do versículo 18: a impiedade dos homens e a supremacia de Deus em relação à Criação. A idolatria é um dos temas centrais, o que fica evidente entre os versículos 23 a 25 (Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém). O Versículo 26 inicia-se com a expressão por isso, ou seja, explica porque aqueles atos antinaturais foram cometidos.

A idólatra Roma servia a muitos deuses, bem como cultuava o hedonismo - o prazer como bem supremo. Paulo faz uma análise das consequências dessa realidade tão abominável diante de Deus. Uma das práticas comuns aos cultos romanos era a prostituição cultual. Ali, homens heterossexuais se envolviam em rituais homossexuais, o que justifica a expressão: deixaram a relação natural com a mulher. Ou seja, homens heterossexuais, trocaram uma conduta sexual que lhes era natural por outra, contrária à sua natureza, ou seja, uma prática homossexual, simplesmente como fonte de prazer e de expressão ritualística.

Quanto ao sexo entre mulheres, o texto de Paulo não é definitivo em afirmá-lo, havendo, inclusive, quem acredite que o Apóstolo mencionava o sexo anal heterossexual. Essa interpretação perdurou durante toda a Idade Média. Tudo indica, porém, que o texto esteja fazendo referência a duas cerimônias comuns entre os romanos daquela época: o culto a Bona Dea – restrito às mulheres, inclusive com a prática de cópula com animais; e o culto a Baco, ou bacanais, em que o incesto era parte dos ritos de iniciação. Todas essas práticas eram contrárias à natureza segundo o pensamento judaico, para o qual a função principal do sexo era a procriação.

O texto faz menção a relações contrárias à natureza praticadas em um contexto bastante específico: a adoração de ídolos. Nenhuma ideia há que reflita as relações homoafetivas e monogâmicas da sociedade atual.

O texto fala de homens e mulheres que praticaram perversões sexuais específicas, contrárias a sua natureza. Homens de orientação homossexual nunca deixaram a relação natural com a mulher (v.27), simplesmente porque isso nunca lhes foi natural! O sexo entre mulheres não está em questão visto que a penetração e a semente (exclusiva dos machos, segundo a visão da época) eram necessárias para que um ato fosse considerado de natureza sexual.

Alguns leitores podem estar pensando: “que nada, essa interpretação é forçada! Vocês estão deturpando a Bíblia para ajustá-la às suas práticas homossexuais!” Bom, para provar que essa análise não é invenção de teólogos gays, vamos ver o que diz o comentário da Bíblia de Estudo Dake, CPAD, sobre esse texto:

“... Esse tipo de idolatria tem sido a raiz de toda imoralidade abominável dos pagãos. Os ídolos têm sido os padroeiros da licenciosidade (vv. 23-32). Quando davam forma humana a seus deuses, eles os dotavam de paixões e desejos e os representavam como escravos de infames perversões sexuais e como possuidores de poderes ilimitados de satisfação sexual. Deus permitiu que eles se entregassem a pecados homossexuais e perversões desse tipo.

Entretanto, não faltam tentativas de alterar o que Paulo escreveu. Vejam como a Nova Bíblia Viva, Editora Mundo Cristão, Edição 2011, traduziu Romanos 1.26:

“Esta é a razão pela qual Deus os entregou a paixões pecaminosas, a tal ponto que até suas mulheres se voltaram contra o plano natural que Deus tinha para elas e cederam aos pecados sexuais entre elas mesmas.”

Bom, diante de tudo o que expusemos, deixo uma pergunta aos nossos acusadores: Quem está deturpando a Bíblia para ajustá-la às suas crenças?

Fonte: www.teologiaeinclusao.blogspot.com.br
Autor:  pastor Alexandre Feitosa